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Em um Brasil marcado pela ampliação da informalidade e pela exclusão histórica dos povos indígenas das políticas de trabalho e renda, cresce a busca por alternativas que garantam sustento sem abrir mão do território, da cultura e do modo de vida. São experiências construídas coletivamente, que unem produção, cuidado com a natureza e organização comunitária.

É nesse cenário que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (CONDSEF) promovem, no dia 8 de abril, em Brasília, uma atividade no Acampamento Terra Livre (ATL), principal mobilização indígena do país. A ação integra o projeto “Povos Indígenas no Mundo do Trabalho”, iniciado em março, em São Paulo, e marca um momento inédito: pela primeira vez em 22 anos, o movimento sindical participa da programação oficial do encontro.

O projeto foi construído pela Secretaria Nacional de Economia Solidária da CUT, em parceria com a CONDSEF, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), com Apoio Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), da região da Toscana, Itália.

“Esse movimento mostra como a economia solidária é estratégica para dialogar com trabalhadores e trabalhadoras fora do mercado formal, que seguem produzindo e contribuindo para o país”, afirmou o secretário nacional de Economia Solidária da CUT, Admirson Medeiros Ferro Jr. (Greg). Segundo ele, a iniciativa também tem um peso simbólico: “Levamos os povos indígenas para dentro da CUT e, agora, levamos a CUT ao Acampamento Terra Livre.”

A proposta nasce do reconhecimento de que os povos indígenas também são parte da classe trabalhadora. Em seus territórios, já desenvolvem práticas baseadas na cooperação, na partilha e no respeito ao meio ambiente — formas de produção que dialogam diretamente com os princípios da economia solidária.

A atividade será transmitida pelo canal da CUT no 

, às 18 horas do dia 8 de abril, e reunirá representantes do governo federal, do movimento sindical e de organizações indígenas. O debate abordará temas que atravessam o cotidiano nas aldeias, como trabalho, educação e acesso à saúde.

Entre os participantes confirmados estão representantes da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e da APIB.

“A expectativa é que essa atividade siga ajudando a construir uma agenda comum entre trabalhadores urbanos, rurais e povos indígenas. Nosso objetivo é, por meio da economia solidária, promover uma aproximação entre o movimento sindical e o movimento indígena, a partir de uma agenda que reconheça a diversidade do trabalho no Brasil e aponte caminhos para garantir a unidade política necessária à demarcação e à proteção dos territórios, que são a base material dessa diversidade”, afirmou Mônica Carneiro, representante da Condsef.

Exposição fotográfica

Junto ao seminário “Povos Indígenas no Mundo do Trabalho”, haverá também uma exposição fotográfica que destaca o protagonismo dos povos indígenas no mundo do trabalho. A mostra reúne cerca de 30 painéis, com aproximadamente 40 imagens.

As fotografias retratam atividades como produção agroecológica, artesanato, educação e atuação na saúde. As imagens evidenciam a diversidade de formas de trabalho desenvolvidas nos territórios, associando geração de renda, preservação cultural e sustentabilidade ambiental.

O acervo é da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e as fotos foram selecionadas pelo fotógrafo Mário Vilela. A coletânea também inclui imagens produzidas por fotógrafos indígenas.

Leia mais sobre o projeto Povos Indígenas no Mundo do Trabalho. clique aqui.

Ouça e assista ao podcast com o secretário nacional de Economia Solidária da CUT sobre o assunto.