O 7 de Setembro colocou novamente a soberania no centro do debate político nacional. Diferentes manifestações e discursos disputaram o significado da data, mas há uma dimensão que interessa diretamente à sociedade e não pode ficar em segundo plano: a capacidade de um país proteger direitos, manter serviços públicos fortes e assegurar condições dignas a quem trabalha.

Essa discussão passa por escolhas concretas. Passa pelo orçamento destinado ao funcionalismo, pela correção das desigualdades entre carreiras, pela regulamentação da negociação coletiva e também pela duração da jornada de trabalho. São decisões que atingem servidores, trabalhadores do setor privado e também toda a população que depende das políticas públicas.

Orçamento abre uma disputa sobre a valorização dos servidores  

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 reservou aproximadamente R$ 8.995 bilhões para despesas relacionadas ao funcionalismo, incluindo possibilidades de reajustes, benefícios, reestruturações e outras medidas de pessoal. O documento, porém, ainda não informa como esse montante será distribuído.

A Condsef/Fenadsef acompanha a proposta com apoio do Dieese e pretende buscar esclarecimentos junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. A existência dos recursos é um elemento importante, mas não resolve a discussão: a disputa agora envolve quais demandas serão atendidas e quais segmentos serão contemplados.

É nesse cenário que servidores continuam cobrando a correção das distorções remuneratórias produzidas entre cargos e carreiras do Executivo Federal.



Sindsep-DF realiza nesta quarta-feira, 9 de setembro, às 11 horas, novo ato em frente ao Palácio do Planalto. Será a terceira mobilização da entidade em pouco mais de um mês dedicada à pauta da isonomia.

As atividades anteriores ocorreram em 6 e 18 de agosto, diante de prédios do governo federal. A sequência de atos mostra uma mobilização persistente para colocar a desigualdade remuneratória entre servidores no centro das decisões sobre 2027.

Além da correção salarial, participam dessa agenda categorias com reivindicações específicas e também aposentados e pensionistas, que seguem cobrando medidas relacionadas a benefícios e contribuição previdenciária.

Outra disputa fundamental para os trabalhadores no serviço público permanece aberta na Câmara dos Deputados: a aprovação do PL 1893/2026, que regulamenta a negociação coletiva no serviço público.

Na semana passada, representantes do Coletivo das Três Esferas da CUT estiveram no Congresso em articulações pela votação da proposta. Ainda existem obstáculos à tramitação, mas as entidades seguem trabalhando para que o texto avance.

Para os servidores, a regulamentação significa dar maior estabilidade a um direito que não deveria depender apenas das circunstâncias políticas de cada momento.

Fim da escala 6x1 conquista avanço importante no Senado          


A semana também trouxe uma vitória para uma pauta fundamental para toda população brasileira. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a proposta que estabelece dois dias de descanso por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

Dos 27 integrantes da comissão, apenas quatro votaram contra.

O resultado levou uma reivindicação construída nas ruas, nas redes e nas mobilizações sindicais a uma nova etapa dentro do Congresso. Agora, a proposta depende da votação no plenário do Senado, onde precisa alcançar pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

A aprovação na CCJ demonstra que a redução da jornada deixou de ser apenas uma reivindicação social e passou a ocupar espaço efetivo na agenda legislativa. Ainda assim, o avanço não encerra a disputa.

Para quem enfrenta seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, o que está em discussão é algo bastante concreto: tempo para a família, lazer, saúde, descanso e vida for a do trabalho.

Atenção também para quem decide                                               

Essas pautas avançam em um período no qual o país se aproxima das eleições. Isso torna ainda mais importante acompanhar não apenas discursos, mas também votos, propostas e posicionamentos concretos.

Parlamentares que buscam permanecer no Congresso, assim como candidaturas que apresentam projetos para o país, também precisam ser observados pelo que defendem para os trabalhadores, para o funcionalismo e para os serviços públicos.

No caso da redução da jornada, por exemplo, o processo legislativo permite verificar quem apoiou a mudança, quem votou contra e quais alterações foram apresentadas durante a discussão. O mesmo critério deve valer para outras pautas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.

A escolha de representantes não se resume ao período eleitoral. Ela também passa por acompanhar o que cada mandato faz quando direitos, orçamento e políticas públicas estão em votação.