Em um cenário marcado pela concentração dos meios de comunicação, pela circulação acelerada de informações e pela força das plataformas digitais na formação da opinião pública, a comunicação sindical ocupa um lugar estratégico para as entidades que defendem os direitos da classe trabalhadora.
Mais do que divulgar notícias, comunicar é disputar espaço na sociedade, apresentar uma visão comprometida com os trabalhadores e trabalhadoras, dialogar com a base e construir pontes com setores mais amplos da população. Para as entidades sindicais, essa tarefa se tornou ainda mais necessária diante do avanço da desinformação, dos ataques aos direitos sociais e das tentativas de enfraquecer as organizações coletivas.
Foi com essa compreensão que o Sintrafesc participou do primeiro módulo do Curso de Comunicação Sindical promovido pela Escola Sindical Sul da CUT, realizado entre os dias 17 e 19 de junho. A formação reuniu dirigentes, militantes e profissionais da comunicação de entidades sindicais de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
O Sintrafesc foi representado por Nazareno Helano Rocha Furtado, secretário de Política e Comunicação, e por José Sergio de Andrade, funcionário do sindicato.
A formação teve como objetivo aprofundar o debate sobre o papel da comunicação na organização sindical e no fortalecimento da relação das entidades com suas bases. Durante as atividades, a comunicação foi tratada como parte do trabalho político das organizações, ligada diretamente à formação, à mobilização e à capacidade de interpretar a realidade vivida pelos trabalhadores.
Os debates abordaram temas como neoliberalismo, dataficação, financeirização e poder das plataformas digitais. A partir da análise das transformações ocorridas nas últimas décadas, os participantes discutiram como a internet, os algoritmos e os modelos de negócio baseados na coleta de dados passaram a influenciar o acesso à informação, os hábitos de consumo e o debate público.
Também foram discutidos os impactos das bolhas informacionais, da desinformação e da concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia. O debate apontou para a necessidade de as entidades sindicais compreenderem melhor o funcionamento das plataformas, mantendo a comunicação conectada à realidade concreta da categoria.
Outro eixo importante da formação foi a análise histórica dos meios de comunicação e sua relação com as disputas de poder na sociedade. A atividade mostrou que, em diferentes períodos, os meios de comunicação foram utilizados para informar, mobilizar, censurar, construir consensos e influenciar a forma como os acontecimentos eram compreendidos pela população. Essa reflexão contribuiu para reforçar que a comunicação nunca é neutra e que as entidades sindicais também precisam ocupar esse campo com conteúdo, presença e estratégia.
O curso também contou com oficina sobre redes sociais e inteligência artificial. A atividade apresentou possibilidades de uso dessas ferramentas na produção de textos, resumos, análises, materiais visuais e comparação de narrativas. Ao mesmo tempo, foi reforçada a necessidade de revisão humana, responsabilidade editorial e leitura política da realidade. A inteligência artificial foi debatida como ferramenta de apoio, sem substituir o conhecimento da categoria e a atuação dos dirigentes e comunicadores.
Para o Sintrafesc, a participação no curso reforçou a importância de investir na qualificação da comunicação sindical, aperfeiçoar o uso dos canais disponíveis e ampliar o diálogo com os servidores públicos federais. Em tempos de desinformação e ataques aos direitos sociais, fortalecer a comunicação é também fortalecer a organização coletiva e a defesa do serviço público.
A continuidade da formação nos próximos módulos deverá contribuir para aprofundar o diagnóstico e transformar os debates realizados em ações práticas para qualificar ainda mais a comunicação do sindicato.
